Guilherme Boulos (PSOL) responde Calculadora de Afinidade Eleitoral

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Guilherme Boulos, do PSOL.

Guilherme Boulos, candidato pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL / 50) à Presidência da República, é o segundo presidenciável a aceitar o convite feito pelo site O Iceberg para responder publicamente às 23 questões da Calculadora de Afinidade Eleitoral.

Todos os treze presidenciáveis foram convidados a se posicionar publicamente. Os comitês de campanha que tiverem interesse em dar transparência e explicar suas razões e pontos de vista em relação às ideias e interesses em disputa podem entrar em contato com nossa equipe.

Mais informações sobre o Plano de Governo do PSOL para o futuro do Brasil representado pela candidatura de Guilherme Boulos e outras informações estão disponíves no site do TSE.

Confira com exclusividade as respostas do PSOL às 23 questões da Calculadora aqui no site O Iceberg ~ Mergulhando nas profundezas da gestão pública:

Economia

01. Você concorda com as alterações realizadas na CLT e defende que a terceirização possa ocorrer em todas as atividades das empresas (Reforma Trabalhista)?

Não. A Reforma Trabalhista e a terceirização indiscriminada expõem o trabalhador ainda mais à instabilidade laboral, a baixos salários e a corte de benefícios. Já no primeiro dia de governo vamos propor um plebiscito para revogar esse e outros retrocessos do governo Temer.

02. Os trabalhadores devem contribuir mais tempo do que contribuem hoje para se aposentar (Reforma da Previdência)?

Não. O problema não está no trabalhador, mas no desvio de 1/3 do orçamento da Previdência para o pagamento de juros exorbitantes da dívida pública. Outro problema grave são as dívidas estratosféricas das grandes empresas, que somam mais de R$ 450 bilhões.

03. Você defende o congelamento dos gastos com investimentos e serviços públicos por 20 anos (PEC do Teto)?

Não. A EC 95 representou um dos maiores golpes dados pelo governo atual contra a população. Em vez de mexer nas desonerações fiscais ou na tímida tributação de bilionários, decretou limite vergonhoso para o investimento social, sobretudo em Saúde e Educação.

04. A tributação deve se tornar progressiva, começando a cobrar impostos dos lucros de acionistas e das grandes heranças?

Sim. Nosso sistema tributário expressa o abismo social do país: quem sustenta o Estado são as classes mais baixas enquanto os bilionários são poupados. Vamos adotar a tributação progressiva, a taxação de fortunas e o aumento da faixa de isenção.

05. O Estado deve ser empreendedor e investir ativamente na economia (desenvolvimentismo)?

Sim. Nenhum país saiu de crise econômica com cortes e privatizações. O investimento público é fundamental para gerar emprego, aquecer a economia e estabelecer um desenvolvimento que combata as desigualdades sociais e regionais, atendendo aos interesses da população.

06. O ajuste fiscal deve ser a principal prioridade do governo federal?

Não. Falta distribuição de renda e não dinheiro no Brasil. Se o Estado deixa de investir, vai gerar desemprego, diminuição de renda, de consumo e de arrecadação. O ajuste fiscal só gera mais desajuste. Não foi à toa que a situação econômica só piorou com essa política.

Energia

07. Você defende que os preços dos combustíveis no Brasil continuem flutuando segundo as variações do mercado internacional de petróleo?

Não. Nossa política de preços não pode priorizar o lucro de investidores em troca do bem estar da população. A Petrobras tem capacidade de controlar a produção do poço ao posto sem prejuízo algum às suas contas.

08. A Petrobras deve voltar a ter prioridade na exploração do Pré-sal em relação às petroleiras de outros países (volta do regime de partilha)?

Sim. A Petrobras foi vendida a preço de banana para super corporações internacionais que ainda receberam de presente isenção de impostos bilionários por 20 anos. Vamos reestatizar a Petrobras, porque o Brasil tem condições de ser mais do que um simples exportador de óleo.

09. As petroleiras estrangeiras devem continuar recebendo incentivos fiscais?

Não. Incentivo fiscal é um nome bonito para esconder a quantia de R$1 trilhão que o Estado deixará de arrecadar em 20 anos de super empresas com lucros exorbitantes.

10. Você acha que as distribuidoras de energia da Eletrobras devem ser privatizadas?

Não. Não podemos entregar serviços estratégicos para acionistas que só pensam em seu lucro. Privatizar não gera maior eficiência e nem faz caixa: as empresas públicas lucram ao longo do tempo e geram ganhos para o Estado e para a população.

Proteção Social

11. O Estado deve fazer maiores investimentos na saúde pública, mantendo o SUS público e gratuito?

Sim. Nosso plano é dobrar o orçamento do SUS e apostar na UBS completa, quando a consulta, os exames e o diagnóstico são todos feitos em um só endereço. Queremos também impor um teto de espera nacional de até um mês para a entrega de exames e retomar a gratuidade de medicamentos.

12. O uso de agrotóxicos deve ser flexibilizado pelo Estado?

Não. O Brasil está consumindo agrotóxicos já proibidos em vários países, indo na contramão de estudos internacionais que comprovam os danos permanentes causados à natureza e à saúde das pessoas.

13. Você defende a Reforma Agrária e dá prioridade à agricultura familiar?

Sim. 70% dos alimentos de nossa mesa vêm da agricultura familiar, que é a maior geradora de emprego no campo. Vamos cumprir a Constituição, desapropriando terras improdutivas, e criar incentivos para os pequenos produtores.

14. Você defende o direito das pessoas LGBT constituírem uma família e terem sua união civil reconhecida pelo Estado?

Sim. Defendemos todas as formas de família e seu direito ao casamento civil igualitário.

15. O aborto deve ser tratado como crime?

Não. Aborto é tema de saúde pública, não do código penal. Legal ou ilegal, ele acontece. A descriminalização vai evitar que mulheres morram em abortos inseguros.

Segurança

16. O acesso a armas de fogo deve ser controlado com maior rigor pelo Estado (Estatuto do Desarmamento)?

Sim. Se não fosse pelo Estatuto, as taxas de homicídio seriam ainda mais altas. Armar a população é proposta de quem se utiliza do medo para vender uma estratégia que só agrava o problema.

17. Você concorda com a intervenção federal no Rio, em que o exército chefia a segurança pública?

Não. Soldado não tem que fazer trabalho de polícia. A intervenção custou pelo menos R$ 50 milhões, a vida de dezenas de jovens e não resolveu nada. É preciso mudar de perspectiva.

18. A maioridade penal deve ser reduzida para 16 anos?

Não. As prisões estão superlotadas e de que adiantou? Vamos investir em inteligência para combater os cabeças do crime organizado ao invés de prender quem está na ponta.

19. O consumo de maconha deve ser tratado como crime?

Não. Defendemos a descriminalização como parte de uma proposta de saúde pública, em debate aberto com a sociedade e sem punitivismo ou moralismo.

Educação

20. Os professores devem ter total liberdade para expressarem suas ideias e opiniões em sala de aula (sem nenhuma limitação colocada pelo Estado ou pelas famílias)?

Sim. Como professor, eu sei que não existe aprendizado sem incentivo à capacidade reflexiva e como candidato, sei de sua importância para a democracia. O Escola sem Partido tem partido, sim: o do pensamento único.

21. O Estado deve fazer maiores investimentos na educação pública, mantendo escolas e universidades públicas com acesso universal e gratuito?

Sim. Com mais investimento, vamos expandir o ensino integral, valorizar os professores, criar 1 milhão de vagas nas universidades públicas e ampliar as cotas.

22. Você concorda com a política de cotas nas universidades públicas?

Sim. O sistema de cotas é um instrumento fundamental para o combate à desigualdade e ao racismo estrutural enraizado em nosso país, democratizando o ensino.

23. O currículo obrigatório do Ensino Médio deve ser reduzido?

Não. Evasão e mal desempenho não podem ser combatidos com menos escola, mas sim com mais tempo em sala de aula. Vamos investir no ensino integral e em uma transformação da grade curricular para aproximar o ensino da realidade de seus estudantes.

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