Elaboração da Calculadora

A Calculadora de Afinidade Eleitoral 2018 foi desenvolvida por gestores públicos de carreira — Especialistas em Políticas Públicas — que trabalham com ciência de dados e colaboram com O Iceberg.

Levantamento dos dados

Clique na tabela para ver as posições
detalhadas dos candidatos.

A Calculadora reflete o levantamento produzido pelo Professor Daniel da Silva Lacerda, da UFRGS. Confira as fontes das informações, a planilha com os dados tabulados, os esclarecimentos e a metodologia utilizada por ele. Quando as posições dos candidatos divergirem das posições dos partidos políticos, faremos atualizações para deixar a ferramenta mais precisa.

 

Critérios para o cálculo

Para calcular a afinidade entre o usuário (você) e cada um dos presidenciáveis adotou-se a seguinte abordagem.

  • Caso o candidato e/ou o usuário estejam divididos no assunto, ou seja, algum dos dois nem concorda nem discorda totalmente da questão — marcando Depende –,  soma-se 0,5 ponto. O mesmo ocorre se a posição do candidato ainda não foi mapeada.
  • No caso das posições coincidirem, ou seja, o candidato e o usuário concordam (Sim-Sim) ou discordam (Não-Não) naquela questão, adiciona-se 1 ponto.
  • Quando são divergentes (Sim-Não ou Não-Sim), ou seja, a posição do usuário e do candidato são opostas, não se soma nada.
  • Por fim, calculamos o percentual de afinidade tendo como base o total dos 23 pontos disponíveis. As frases foram colocadas na ordem direta e positivas visando maior clareza e coesão.

Presidenciáveis

Já foram levantadas as posições de Guilherme Boulos (PSOL), Lula (PT), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Alvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB), Geraldo Alckmin (PSDB), João Amoêdo (Novo) e Jair Bolsonaro (PSL). No dia 28.ago.2018 a equipe d’O Iceberg entrou em contato com os comitês de campanha de todos os candidatos buscando incluir os candidatos Cabo Daciolo (Patriota), Eymael (DC), João Goulart Filho (PPL) e Vera Lúcia (PSTU). Além disso, pretendemos dar a oportunidade para todos os candidatos deixarem mais transparentes as suas posições nos temas mapeados.

Alguns esclarecimentos

Os esclarecimentos que estão a seguir foram produzidos pelo Professor Lacerda e estão disponíveis também neste post:

1) Essa tabela visa comparar o posicionamento dos (pré-)candidatos à presidência da república desse ano. Não se trata propriamente de uma “pesquisa científica” como alguns citaram, e sim de um esforço coletivo de comparação sistemática de posições programáticas, feito com ajuda dos amigos marcados nesse post. Todas as posições indicadas correspondem a declarações dos próprios candidatos, ou aos votos dos seus partidos para os casos em que houve Projeto de Lei votado (destacados na planilha).

2) A escolha da pauta que foi agrupada aqui deve-se grandemente ao imposto pela mídia tradicional. Isso se deve ao fato de que não há fontes públicas e seguras para a posição dos candidatos com relação a temas sobre os quais eles não são perguntados. Além do que o que é pautado pela mídia gera também curiosidade no eleitor.

3) Todas as posições da tabela seguiram alguma fonte (fontes: http://bit.do/presidenciaveis2018). Se você discorda de alguma classificação, verifique se existe alguma outra fonte pública que sugira alteração. A preferência foi para links dos últimos 12 meses visto que os candidatos mudam bastante de opinião com o tempo.

4) Por mais contraditório que pareça, é mais fácil encontrar o posicionamento sobre posições comuns em sites de terceiros do que no site do próprio candidato, porque cada um constrói a própria pauta sobre os vários temas. Quando vai falar de educação, por exemplo, Alckmin divulga que o importante é ter +50 pontos no Pisa, Boulos que é importante investir em universidade publica, Lula que tem que federalizar o ensino médio, e por ai vai… mas o que eles acham sobre a pergunta especifica do Escola Sem Partido, por exemplo? Quem pauta isso é a grande mídia. Isso não quer dizer que o que eles declararam em sites de terceiros deva ser incompatível com o próprio site de campanha.

5) Ao escolher a forma de “frasear” cada tópico procurou-se especificar o que estava sendo comparado. Por exemplo: no caso do aborto, refere-se especificamente ao impedimento de prisões das mulheres e não à legalização da prática de forma geral, uma vez que essa é a pauta do momento no STF (http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp…), apesar do aborto não dizer respeito apenas a isso, e haver muitas outra questões importantes, como o direito à vida gestada. Diferentes especificações poderiam mudar a posição do candidato, e deu-se preferência para aquela de maior disponibilidade de fontes em cada caso.

6) É difícil resumir temas complexos em uma frase curta. No caso da PEC do Teto, por exemplo, a descrição focou no impacto direto que isso terá para o eleitor, mas cada candidato justifica sua posição de um modo. Certamente há muita coisa entre “a favor” (+1) e “contra” (-1) em cada caso (diferentes níveis de concordância ou propostas parciais), mas o objetivo aqui era permitir a comparação, e por isso a escala escolhida tem 3 opções. De todo modo, o debate e o aprofundamento ainda são obviamente necessários.

7) A posição no espectro político é sempre relativa à nossa própria visão pessoal (à direita ou à esquerda). A planilha organizar os candidatos da esquerda do espectro ideológico à direita, a partir da comparação dos candidatos uns com os outros. Nem todas as candidaturas foram colocadas para a tabela não ficar excessivamente grande. Vera Lúcia (PSTU), Paulo Rabello de Castro (PSC), José Maria Eymael (DC), João Goulart Filho (PPL), Cabo Daciolo (Patriota), e Levy Fidelix (PRTB) ficaram de fora.

8) Essa planilha não se propõe a ser a única fonte de informações para nada, ela é apenas uma comparação de candidatos sobre temas que estão pautados no debate político nacional. Existem muitos temas importantes de fora, em função da dificuldade de se encontrar declarações de todos os candidatos para os mesmos temas (obviamente cada um fala de sua própria pauta).

9) Tentei ser o mais isento que pude, mas como a neutralidade não existe em seres humanos posso ter falhado miseravelmente. De todo modo, posso garantir que a intenção promover um debate de ideias e propostas foi genuína e honesta. Considero a repercussão um grande avanço com relação ao debate recente sobre política no Brasil, que tende a idolatrar personagens a partir de caricaturas e memes, deixando completamente de lado os seus programas.

Esclarecimentos específicos sobre candidatos

Os esclarecimentos a seguir também foram produzidos pelo Professor Lacerda e estão disponíveis neste post.

Lula – pela lei uma pessoa só perde os direitos políticos quando o TSE se manifesta formalmente, após registro da candidatura, então por enquanto Lula é presidenciável. Eu não sou a favor das leis existentes ou da jurisprudência que existe no Brasil sobre o tema. Mas o fato é que existem centenas de casos de pessoas condenadas ou até presas que tiveram as candidaturas liberadas no TSE pelos mais distintos motivos. Enquanto o TSE não se pronunciar, e especialmente antes do PT escolher um novo nome, não seria justo simplesmente excluir o partido desse debate, especialmente estando em primeiro lugar nas pesquisas e sendo o partido com mais representantes no Congresso.

Ciro – muitos contestam sua classificação em temas como a intervenção militar por causa de seus pronunciamentos públicos que referiam o contrário. No entanto, 100% da bancada do PDT votou a favor da intervenção. Nos temas onde houve voto no congresso foi considerado o voto do partido. Apesar de não ser esse o padrão de voto do eleitor, em nosso sistema de governo a posição histórica do partido na prática acaba sendo um indicador ainda mais “sólido” para saber como se comporta aquela candidatura do que uma declaração pública do indivíduo que apresenta o rosto dessa candidatura.

Marina – em diversos de seus posicionamentos ela enfatiza a complexidade das questões e evita tomar lado contra ou a favor. Alguns podem considerar isso algo deletério ou “em cima do muro”, mas muitos escolhem a Marina justamente por entenderem como ela que os temas em pauta não são “bipolares”. Por exemplo, Marina é a favor dos sistemas públicos de saúde e educação, mas não parece ter intenção de se comprometer com recursos a não ser que haja superávit fiscal pra isso (foco na despesa). Cada eleitor fará seu próprio julgamento.

Amoedo – como seu partido não tem deputados eleitos, nesse caso excepcionalmente para as linhas que tratavam de votos no congresso foram buscadas declarações dos candidatos. Muitas são contraditórias por se tratar de um partido criado há pouco tempo que ainda está formando seus consensos e posições oficiais. Amoedo costuma fechar posições apenas para questões relativas a economia, deixando a critério de filiados e deputados o posicionamento individual sobre outros temas.

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